‘Tesouro escondido’, ‘cemitério indígena’; conheça lendas dos pioneiros de Vilhena

‘Tesouro escondido’, ‘cemitério indígena’; conheça lendas dos pioneiros de Vilhena

Nesta quinta-feira (23), o município de Vilhena (RO), no Cone Sul, completa 40 anos desde a emancipação ocorrida em 1977. Em comemoração ao aniversário, o G1 entrevistou alguns dos primeiros moradores que viram e cresceram juntos com a cidade.
Uma das histórias mais curiosas e pouco conhecidas contadas por um desses pioneiros é a lenda do tesouro no antigo posto telegráfico. De acordo com o primeiro prefeito eleito de Vilhena, Vitório Abrão de 67 anos, há mais de 30 anos o lugar encheu de gente após um índio espalhar que Marechal Cândido Rondon havia enterrado ouro no quintal da propriedade.
“Quando eu ouvi essa conversa, fui lá a noite e encontrei vários lampiões acessos por todo canto, com várias pessoas escavando. Tinha buraco de até oito metros de profundidade. Quem vivia lá era o indígena Marciano Zonoece e a família, que haviam acompanhado a expedição de Rondon”, lembra Abrão.
Na época, conforme o pioneiro, dezenas de pessoas se aventuram na caçada. Porém, após ninguém nunca ter encontrado alguma coisa valiosa, ou pelo menos divulgado, a empolgação morreu e a história se dissipou, tornando-se apenas uma lenda.
Mais tarde, em 1969, a família Zonoece abandonou a moradia depois de sofrer um ataque de índios nômades. O lugar foi transformado em museu e depois em zoológico de 1981 a 1996, e em 2015 foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo valor histórico.Atualmente, a propriedade pertence a União e está fechada há mais de 20 anos.
Atualmente, a propriedade pertence a União e está fechada há mais de 20 anos.Cemitério indígena
Ao lado do posto telegráfico havia um antigo cemitério indígena da tribo Nhambiquaras, onde cerca de 100 pessoas foram enterradas, entre elas, alguns não índios.
O professor de história Jeferson Batista relata que no início do século XX, além de índios, somente seringueiros e aventureiros moravam na extensão geográfica. Foi a partir da construção da BR-364 (chamada naqueles tempos de BR-29), que os olhares se voltaram para Vilhena.
Diante do grande fluxo de migrantes, a cidade se desenvolveu pouco a pouco, mas a população sentia falta de um cemitério próprio. De acordo com o pioneiro Pedro Rocha, de 42 anos, o padre Ângelo Spadari interveio com o coronel Arnaldo Martins, e foi construído o Cemitério Municipal Cristo Rei.
Com o tempo, a área separada para sepulturas foi preenchida. Todavia, o cemitério indígena desapareceu depois de 2001, quando foi devastado pelo plantio de soja.
O local, nos dias atuais, também pertence a União e sequer é possível encontrar vestígios do passado sagrado.
Brincadeira mortal
A direção do Cemitério Municipal Cristo Rei informou a reportagem que não há registros de quem teria sido o primeiro a ser sepultado. Porém, é de conhecimento geral dos trabalhadores mais antigos que o mais velho ‘habitante’ é um homem que morreu em 1969, assassinado na Avenida Major Amarante.
A viúva dele teria dito que o companheiro, em vida, brincava sobre quem iria inaugurar o cemitério. Um tempo depois de morrer, o segundo a ser enterrado foi um amigo dele.


Fonte G1/RO

Antigo posto telegráfico em 2017 (Foto: Aline Lopes/G1)

Antigo posto telegráfico em 1911 (Foto: Memória Vilhenense/Divulgação)
emitério indígena de Vilhena (Foto: Vitório Abrão/ Arquivo pessoal)

Habilidades

Postado em

23/11/2017

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